quarta-feira, 15 de agosto de 2007

A vida como a novela é

Às vezes me pergunto se a Globo fez pacto com o Coisa Ruim ou algo assim... Como pode uma emissora influenciar tanto a vida das pessoas? Quer dizer, o problema não é nem com a emissora, ela tá aí pra fazer isso mesmo, pra isso que os publicitários a pagam. A pergunta é: como pode as pessoas se deixarem influenciar tanto por uma emissora de tevê? Ai, ai, as novelas! Novela das 6, das 7, das 8... Assistir novela é algo tão tradicional em nossas vidas - quero dizer, na vida de vocês, na minha não! nem na do Igor, que eu sei! - que o dia que o governo proibir a exibição de novelas (seria interessante numa política educativa - perdoem-me ser taxativa) a vida perde o sentido. Novela, aqui no país-tropical-abençoado-por-Deus, é uma metanarrativa!

Tá, esse assunto rende muito. O que se pode tirar dele, por exemplo, é a idolatria pelos bonitões e bonitonas da telinha. Há personagens - olhem bem: personagens! - que influenciam tanto nossa vida social, mas tanto, que ultrapassam o limite da suportabilidade para pessoas que têm um mínimo de apego à idéia de indivíduo, como eu. Apareceu na novela, virou tendência: quem não lembra das pobres criancinhas de 2 anos vestidas como a tal da Darlene, personagem da Débora Secco (shiii, essa então! se juntar tudo o que vemos por aí, dá pra organizar uma indústria multimidiática Vida Sexual de Débora Secco: notícias quentes e bombásticas de hora em hora. Fica a sugestão. Não, não, por favor, não! Retirem o que disse!)? E a tal da Dona Jura, que fez o Piscinão de Ramos mudar de status social? Como ela conseguiu isso, me pergunto! E isso numa novela só, hein!

A verdade é que é difícil para o povo separar realidade e ficção. E é desse subdesenvolvimento mental que as grandes empresas televisivas se aproveitam para moldar no telespectador o comportamento que querem que ele tenha. Novela, ao retratar a suposta realidade, da qual o pessoal tanto gosta, meio que anestesia os problemas da verdadeira realidade pessoal para sobrepor os dilemas da vida dos outros, que, no mínimo, devem ser mais legais: "hum... gente bonita, rica, zona sul, mulher gostosa! se for pra encarar problemas, que sejam os deles, que devem ser mais interessantes", muita gente pensa assim. E o povo acaba preso à ditadura da novela (claro, com prisioneiros dopados por cenas de sexo e entretenimento de baixo nível evita-se revolta. A não ser por um ou outro que desabafam por aí, como a menina que está escrevendo. Essa menina, aliás, ainda é bem ousada em dizer essas coisas. Até parece que ela nunca foi dar uma conferidinha básica no superexplorado tórax do Marcos Pasquim ou nunca ficou com os olhos grudados naquela cena que era A cena, que as revistinhas de R$ 1,99 das bancas prometiam há tempos!). Não quero nem tocar no assunto "publicidade e novela" porque seria o mesmo que cortar o fio vermelho num filme de ação. Ia explodir tudo!

Ah, mas esse assunto rende muito... quem sabe vem aí uma parte 2.
Desculpem as coisas meio perdidas e o excesso de opinião pessoal. Prometo (tentar) melhorar da próxima vez!

2 comentários:

Igor Mello disse...

Grande texto, nobre companheira! Simplesmente fantástico! Eu sei que é coisa de gente meio carente comentar no próprio blog, mas o quê é que tem, né? Não podia deixar passar em branco o primeiro de tantos e tantos textos de Isabella Paschuinni, afinal de contas...

Jovita disse...

Também vale ser ressaltada a inversão de valores entre bem e mal (isso em novela brasileira, pois nunca vi ninguém gostar do personagem malvado em novela mexicana).
Na vida tida como "real" ninguém torce para que o bandido, o mal-caráter e afins tenha um final digamos "impune" e/ou feliz por mais que essa pessoa possa parecer "gente boa". Todos querem que o mesmo pague pelos erros, crimes e etc.
Enquanto que no folhetim, e até mesmo no cinema, a ordem muitas vezes é invertida. Mas nesse caso, uma boa parcela dessa "simpatia" pelo personagem do "mal" se deve muito ao carisma do intéprete.
E assim como muita gente, já caí nessa "contradição" televisiva.